Ano passado eu morri – Sketchweek (6/7)

Os dias estão simplesmente lotados e os sketchs da sketchweek pulam um ou outro dia, mas whatever. Um rabisco sobre dias terríveis de outrora:

tabua

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Old Man

Um sketchinho do sketchbook.

É legal fotografar o caderno ao invés de escanear. Mantém a aura despreocupada do suporte. Essa pegada tosca, manual, sinuosa… O caderno é pra rodar mesmo. Meter uma caneta no meio das páginas, jogar na mochila e tirar pra rabiscar quando se dá na telha. Vai amassar, vai detonar as bordas, vai cair café em cima… fica até mais legal assim, com os indícios dos rolês..

Digitalizado no scanner os desenhos do caderno perdem a essência que fazem deles desenhos de caderno. A página fica reta, plana, com o entorno limado.  Aliás, qualquer desenho totalmente manual perde informação quando digitalizado… Isso me lembra as resenhas sobre “A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica” que tive que escrever durante a faculdade, texto que me recuso a citar durante um post informal… O caderno é volumoso, o espaço pra desenhar é bem limitado, a ação de inserir coisas no caderno geralmente se dá com ele no colo ou em mesinhas de bistrô quando se espera alguém pra tomar café. A fotografia é capaz de sugerir sutilmente todas essas coisas- que os desenhos são toscos porque foram feitos sob condições adversas – então o tosco se torna legal.

O saco é essa Cybershot. As fotos ficam meio cinzas o tempo todo não importa a regulagem. Ainda se vendem Cybershots por aí? Câmera de smartphone anda com uma qualidade superior, eu acho… mas o meu smartphone é dos mais baratos, inferior à Cybershot até nas funções telefônicas se duvidar. Preciso de uma câmera melhor.

Old Man

Retrato do artista quando mais moço

Um quadrinho bastante despretensioso. Desenhado direto no sketchbook, sem pensar muito na forma nem no conteúdo. Tem uns borrões e essa letra é um total descaso com a legibilidade. Uma ode à poluição visual. Mas achei legal depois de uns meses e decidi resgatá-lo… coloquei uma cor aqui, uma pseudo colagem digital ali… Ando aproveitando desenhos soltos de cadernos velhos. Desenho e acho uma porcaria na hora, mas passa o tempo e acabo abstraindo que fui eu quem fiz e crio simpatia pelos pobrezinhos. É aquela história: o primeiro estudo, cru e tosco, meio que desenhado em qualquer papel que se tem à mão e de qualquer jeito, sentado no sofá, esperando ônibus, sei lá, possui uma aura diferente do finalizado certinho, no papel certo, sentado na prancheta na posição certa, sob condições normais de temperatura e pressão. Aparentemente o negócio é não jogar nada fora, dar um tempo e olhar tudo depois.

quadrinho "fuck this shit"