Old Man

Um sketchinho do sketchbook.

É legal fotografar o caderno ao invés de escanear. Mantém a aura despreocupada do suporte. Essa pegada tosca, manual, sinuosa… O caderno é pra rodar mesmo. Meter uma caneta no meio das páginas, jogar na mochila e tirar pra rabiscar quando se dá na telha. Vai amassar, vai detonar as bordas, vai cair café em cima… fica até mais legal assim, com os indícios dos rolês..

Digitalizado no scanner os desenhos do caderno perdem a essência que fazem deles desenhos de caderno. A página fica reta, plana, com o entorno limado.  Aliás, qualquer desenho totalmente manual perde informação quando digitalizado… Isso me lembra as resenhas sobre “A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica” que tive que escrever durante a faculdade, texto que me recuso a citar durante um post informal… O caderno é volumoso, o espaço pra desenhar é bem limitado, a ação de inserir coisas no caderno geralmente se dá com ele no colo ou em mesinhas de bistrô quando se espera alguém pra tomar café. A fotografia é capaz de sugerir sutilmente todas essas coisas- que os desenhos são toscos porque foram feitos sob condições adversas – então o tosco se torna legal.

O saco é essa Cybershot. As fotos ficam meio cinzas o tempo todo não importa a regulagem. Ainda se vendem Cybershots por aí? Câmera de smartphone anda com uma qualidade superior, eu acho… mas o meu smartphone é dos mais baratos, inferior à Cybershot até nas funções telefônicas se duvidar. Preciso de uma câmera melhor.

Old Man

Distorção Cognitiva

Ilustração sobre uma condição psicológica chamada “distorção cognitiva”. É uma coisa comum, abrange praticamente todo mundo mas, por vezes, atinge o patológico. São aqueles pensamentos baseados em especulação que reforçam emoções negativas. Vale a pena dar uma pesquisada sobre.

Distorção Cognitiva

Devaneios do Caderno do Trampo

Houve uma época em que trabalhei no marketing de uma empresa à beira da falência. Adianto que o insucesso financeiro da firma não se devia à minha inépcia como profissional, claro que não… quando entrei lá o bicho já estava pegando havia anos.

Saquei a situação depois de semanas, no momento em que minha supervisora pediu demissão e me tornei o departamento de marketing de um homem só. Foi um período estranhamente kafkiano. O contexto era mais ou menos o seguinte: a empresa operava no vermelho; o organograma estava desestruturado; eu era o cara novato do marketing que acabou de conhecer a empresa; e ainda existe a inexplicável tendência que as empresas mente fechada possuem em desvalorizar o marketing em períodos de crise… Sem querer, tornei-me um ramo cego na estrutura burocrática e organizacional da firma. Adentrei por uma brecha no sistema. Ninguém sabia exatamente porque fui contratado nem exatamente o que eu poderia fazer na prática, logo, meu trabalho se resumia a ficar sozinho na sala do marketing por nove horas aguardando alguma demanda que, quando raramente surgia, resumia-se em resolver questões técnicas, tipo ajustar as dimensões de um banner já pronto e mandar pra gráfica.

Uma hora de trampo. Oito horas de ócio. Parecia o sonho, não? Ganhar sem fazer quase nada. Bem… o “ganhar” no caso consistia em um salário de Designer Júnior numa firma em queda livre onde eu não teria possibilidade alguma de crescer, já que a firma tratava o suposto Coordenador de Marketing como o rapaz que trata as imagens e manda os arquivos pra gráfica. Falando assim pareço preguiçoso, passivo, fechado às oportunidades e etc. “Onde está sua pró-atividade? Mostre seu valor pro chefe. Corra atrás de coisa pra fazer!”, bradam os adultos da geração X batendo as palmas como se estivessem espantando o cachorro do sofá.

Há algumas fábulas circulando por aí em páginas de administração que contam de um funcionário insatisfeito questionando o patrão sobre porque raios o colega recebeu um aumento e ele não, considerando que ambos exercem a mesma função e têm o mesmo tempo de empresa. Então o chefe dá uma de Salomão e demonstra na prática sua sabedoria ilimitada: ele passa pro reclamão uma tarefa do tipo ir ver na quitanda da esquina se lá tem banana o suficiente pra festa da firma (?). O sujeito sai… dali um tempo volta e responde pro chefe que não tem banana o suficiente (?) pra confraternização em questão.

Em seguida, do alto de sua sapiência, o patrão chama o sujeito do aumento e passa a mesma tarefa. Daí o sujeito vai até a quitanda averiguar se há bananas para suprir a insólita demanda que a festa exige (sim, era uma pira assim, mesmo). O cara vai lá… volta… e dá seu parecer para o chefe. Ah, sim… este pedira para o funcionário anterior aguardar e assistir a postura do colega. Na parábola, além de cumprir a tarefa, o funcionário exemplar propõe uma miríade de soluções engatilhadas ante a resposta negativa do quitandeiro: analisa a quantidade de maçãs, mamões, jabuticabas, guavirovas… toda estrutura angiospérmica pertencente ao mesmo universo semântico da banana. Além disso, ele tira o orçamento; verifica se há possibilidade de entrega; se as frutas vem embaladas, descascadas e picadas; se rola um desconto; introduz uma possibilidade de parceria no futuro, visto que a firma possui a tradição de propor confraternizações tropicais para seu quadro de colaboradores… enfim, deu pra sacar a moral da história, não? O indivíduo pró-ativo ganha o aumento, o funcionário que apenas entrega o solicitado fica estagnado.

Bem, é uma historinha bastante didática. Ela até envolve frutas, assim como nos problemas de matemática dos livros da escola. Infelizmente não é bem assim que o fusca anda no mundo real. O patrão tá bem longe de ser um Salomão em termos de riqueza e sabedoria. Ele provavelmente cancelaria a festa tropical (onde provavelmente todos deveriam ir vestindo camisa florida) para conter gastos e ainda mandaria os dois funcionários para o olho da rua por motivo de corte.

Não estou necessariamente menosprezando o comportamento pró-ativo. Atitudes proativas são mais bem vindas em relações sociais onde o mercado e o dinheiro não influenciam. Acho que o quero dizer é que não adianta esperar sucesso na colheita quando o feijão é plantado na areia. Raras vezes tive a oportunidade de trabalhar em empresas que  proporcionassem um crescimento justo para o profissional que promovia inovação, solucionava problemas antes de aparecerem e etc. No geral, neste  cenário atual onde a crise econômica é o super trunfo das tomadas de decisões drásticas pelas Diretorias deste Brasil, o funcionário pró-ativo tem sorte em simplesmente não ser demitido.

O que eu fazia no meu tempo ocioso durante o ano que trabalhava de fato uma hora por dia? Desenhava, resolvia freelances e melhorava meu portfólio. Essa foi minha proatividade: investir o tempo livre em criatividade e produção que deram retornos reais. Acabei saindo de lá para trabalhar em lugares mais interessantes pra mim como profissional. Depois de um tempo a empresa acabou se reestabelecendo aos poucos por um esforço imenso dos setores financeiro, de cobrança, administração, venda direta… trabalhando entre eles ações que não abraçavam o departamento de marketing. Aparentemente eles estão de boa na medida do possível e nunca mais chamaram outro profissional da área. O ramo cego foi podado pra não mais brotar e não fez falta alguma.

E porque diabos escrevi esse texto? Nada demais, só queria contextualizar esses rabiscos aí embaixo. São daquele período. A única folha que resolvi guardar do caderno de anotações do trabalho. Os bonequinhos não fazem sentido algum, apenas devaneios do tempo em que eu recebia pra não fazer nada em detrimento de não crescer nunca.

bonequinhos

Bec Bar Eterno

Um desenhinho do caderninho de bolso que guardo na camisa de lã xadrez sintética que meu velho comprou em 1985 e que, para incompreensão da minha mãe, ainda insisto em usar. Feito durante uma noite com os irmão no outrora Bec Bar, perto da reitoria. Na imagem vocês podem me observar trazendo as garrafas de cerveja da minha rodada e a camisa de lã xadrez sintética.

sketch_becbar