Retrato do artista quando mais moço

Um quadrinho bastante despretensioso. Desenhado direto no sketchbook, sem pensar muito na forma nem no conteúdo. Tem uns borrões e essa letra é um total descaso com a legibilidade. Uma ode à poluição visual. Mas achei legal depois de uns meses e decidi resgatá-lo… coloquei uma cor aqui, uma pseudo colagem digital ali… Ando aproveitando desenhos soltos de cadernos velhos. Desenho e acho uma porcaria na hora, mas passa o tempo e acabo abstraindo que fui eu quem fiz e crio simpatia pelos pobrezinhos. É aquela história: o primeiro estudo, cru e tosco, meio que desenhado em qualquer papel que se tem à mão e de qualquer jeito, sentado no sofá, esperando ônibus, sei lá, possui uma aura diferente do finalizado certinho, no papel certo, sentado na prancheta na posição certa, sob condições normais de temperatura e pressão. Aparentemente o negócio é não jogar nada fora, dar um tempo e olhar tudo depois.

quadrinho "fuck this shit"

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Cartas de Tarot para o clipe da Cão Baleia

Há um bom tempo estou conversando com o amigo, designer, músico e entusiasta do café, Matheus Mantovani, em produzirmos uma história em quadrinhos baseada nas músicas de sua banda, a Cão Baleia. São as canções “O Padeiro, o Glutão, a Moça e o Amante” e “O Glutão e a Cartomante”. Acessem e ouçam, que vale muito a pena.

Ouviram? Bem, há a cartomante, o tarot e a sessão de leitura das cartas (não sei qual o termo exato…). Quero chegar no tarot.

Um aspecto bem satisfatório em fazer trabalhos de ilustração (tão satisfatório quanto ver que o depósito realmente caiu na conta na quinta-feira) é poder sentar e estudar assuntos relacionados ao trabalho que se vai fazer para transformá-los em desenho, equilibrando precisão em torno do assunto original com referências e estilos pessoais. Infelizmente os prazos nem sempre estão à favor, claro, e o ideal de alguns dias dedicados ao estudo tornam-se horas mas, volta e meia, aparecem oportunidades legais que permitem um trabalho cerebral mais apurado. Assim sendo, desde que surgiu a ideia do quadrinho venho estudando o tarot.

Não vou me estender muito que isso aqui é blog de desenho, mas o assunto é interessante pacas. A origem do tarot é meio obscura. Basicamente, diz-se que sábios do oriente, prevendo o período de trevas da Idade Média que estava por vir, pretenderam manter a sabedoria da Antiguidade viva através dos tempos em uma série de gravuras capazes de passar aos olhos de inquisidores cristãos ortodoxos sem serem confiscadas ou destruídas, dispensando a utilização direta de linguagem oral ou escrita.

Esses conhecimentos dizem respeito às verdades profundas da vida, ao caráter essencial do ser, ao aprofundamento da percepção da alma, à elevação espiritual…tudo isso sintetizado em uma série relativamente pequena de símbolos capazes de liberar forças psicológicas transformadoras na mente humana. Não é à toa a sensação estranha liberada ao se deparar com certas cartas com imagens fortes, como a do Diabo, ou o Enforcado, ou a Morte… são arquétipos que mexem lá dentro da psique.

Não sei vocês, mas eu achei do cacete. A quem interessar possa, li isso num livro chamado “Os Arcanos Maiores do Tarô e a Cabala (A Estrada Real)” de Stephan A. Hoeller.

Enfim. Referências bibliográficas à parte, enquanto não rola o quadrinho, está rolando o clipe da Cão Baleia, para o qual rolou de ilustrar algumas cartinhas. Seguem minhas favoritas:

carta de tarot "O Diabo"

Carta de tarot "Nove de Paus"

carta de tarot "O Ermitão"

carta de tarot "O Enforcado"

Ah, esse é o verso do baralho, baseado no padrão Flor da Vida, da Geometria Sagrada, mas aí já é assunto pra outro post:

Verso das cartas de tarot com o padrão baseado na Flor da Vida, da Geometria Sagrada.

A fotógrafa Isabela Nishijima brincou um pouco com a câmera:

Foto da carta de tarot "Nove de Paus"

Aprovado pelo técnico de segurança.

Foto da carta de tarot "O Enforcado"

Cliché alert!

Foto da carta de tarot "O Diabo"

E o Diabo, só na espreita…